Como
posso publicar meu livro? |
Editoras
comerciais e prestadores de serviço
Quando
você deseja publicar um livro, tem dois caminhos diferentes
pela frente: a contratação de um prestador de serviços
ou a submissão dos originais a uma editora comercial.
A diferença é mais ou menos como fazer compras em
uma loja e pedir um empréstimo a um banco, ou seja, trata-se
de dois tipos de negócio bastante diferentes mas com a infelicidade
de se denominarem ambos “editores”.
Os editores que prestam serviço fazem tudo o que você
deseja, porque os seus ganhos provém de vender os serviços
de diagramação e impressão. Isso quer dizer
que eles não avaliam os originais nem têm qualquer
envolvimento com as vendas do livro, apenas transformam o original
que você entrega no objeto livro.
Uma editora comercial funciona de outro modo, assumindo os riscos
(entenda custos) da publicação. Isso quer dizer que
há todo um processo de escolha, uma vez que os ganhos do
editor comercial provêm da venda dos livros.
O editor comercial só sobrevive, portanto, se conseguir comercializar
os livros que edita num mercado altamente competitivo e seletivo.
É crucial você entender que, se está pagando
alguma coisa, não está lidando com uma editora comercial
mas com uma prestadora de serviços.
Vantagens
de uma editora comercial
Ter
seu livro publicado por uma editora comercial tem uma série
de vantagens.
A primeira delas já foi mencionada: você não
precisa pagar nada pela preparação dos originais,
revisões de provas, diagramação, composição,
impressão, capa e acabamento.
A segunda vantagem é que você não precisa se
responsabilizar pela comercialização (a distribuição
em livrarias) nem pela divulgação para a imprensa.
A noite de autógrafos é organizada e paga pela editora,
assim como os catálogos, sites e listas de preços
que informam clientes e livreiros sobre o seu livro.
A terceira vantagem é que, uma vez que um editor comercial
resolva investir em você, pela própria lógica
do negócio ele vai fazer o possível para divulgar
o seu nome em simpósios, feiras de livros e todos os eventos
de que a editora participar. É de seu interesse promover
seus autores a longo prazo porque os verdadeiros ganhos de uma editora
comercial em geral só acontecem com a reimpressão
da obra (popularmente chamada de segunda edição),
quando terão sido abatidos os custos todos da primeira impressão.
Uma quarta vantagem de ser publicado por uma editora comercial é
o prestígio. É mais bem visto pela academia e pelo
mercado em geral o autor ser selecionado por uma editora, especialmente
uma editora com um nome conhecido, do que quando publica uma obra
por conta própria.
Desvantagens
de uma editora comercial
Tudo
na vida tem dois lados. O reverso da moeda de uma editora comercial
começa pelo seu modo de funcionamento. Essa é a editora
parecida com um banco a quem você vai pedir empréstimo,
lembra? Isso quer dizer que a editora comercial tem muito mais autores
do que dinheiro para publicar, e que faz uma seleção
rigorosa daquilo que aceita. Ou seja, é bastante difícil
ser escolhido por uma editora comercial (mas não impossível!
Veja como aumentar suas chances em seleção da editora).
A segunda desvantagem das editoras comerciais é que, visto
que são elas que bancam todos os custos de produção
e impressão, também são elas que decidem como
ficará a capa, qual será o título do seu livro,
quantas ilustrações entrarão etc. Em teoria,
tudo isso é feito por profissionais que entendem do riscado.
Na prática, muitos autores ficam um tanto insatisfeitos.
A terceira desvantagem é que, para uma editora comercial,
a menos que você seja um figurão conhecidíssimo,
o seu livro é apenas mais um entre vários. Um produto
cultural nunca chega a ser tratado como um automóvel numa
linha de montagem, mas é evidente que profissionais ocupados
em fazer cinco livros diferentes por mês todo os meses têm
uma atitude de envolvimento restrito com cada obra. As pressões
da empresa para produzirem dentro de prazos determinados obriga
essas pessoas a dedicar atenção, tempo e energia limitados
a você.
A quarta desvantagem é que a editora detém o controle
de todo o processo de comercialização e marketing,
que nem sempre é o mais eficiente do planeta. Você
pode ficar sabendo de uma livraria que gostaria muito de ter os
seus livros, mas nenhum vendedor passar por lá oferecendo
o título. Ou informar o departamento de promoções
que haverá um congresso nacional em Santa Catarina sobre
o tema de seu livro, e ninguém da editora tomar providências.
Essa mesma falta de controle se estende à decisão
de divulgar seu livro, dar-lhe um preço, reeditá-lo.
Veja mais em como lidar com seu editor.
Vantagens
de um prestador de serviços
Um
prestador de serviços presta muito mais atenção
em você do que um editor comercial, porque para ele você
é o principal cliente. Os serviços oferecidos são
limitados apenas pela possibilidade do autor de pagar, nunca pela
falta de disposição ou tempo do profissional. Os prazos
são determinados por você, e tudo o que você
resolve colocar na obra – duzentas ilustrações
coloridas, a foto de seu filho na capa – sai impresso.
Quando você paga, é também você quem decide
sobre o conteúdo da obra. Se você escreveu uma tese
importante, que pode servir de referência para muitos pesquisadores
mas foi julgada pouco lucrativa pelas editoras comerciais, publicá-la
por conta própria é uma saída a ser considerada
para divulgar o seu trabalho acadêmico. Sem falar que, quando
bem feita, uma edição paga pode render aqueles famosos
créditos concedidos a publicações científicas.
Um livro auto-publicado tem a vantagem ainda de render muito mais
do que os dez por cento usuais de uma edição comercial.
Se você tem uma platéia cativa – como muitos
alunos, parentes ou clientes – a edição própria
pode não só se pagar como dar lucro.
Finalmente, um prestador de serviços não escolhe você,
é você quem o seleciona. Portanto, não há
a ansiedade de esperar por uma resposta do editor nem a decepção
de uma carta de recusa. Você pode marcar a data do lançamento
assim que entrega os originais para a produção, e
aguardar a impressão desejada sem sustos.
Desvantagens
de um prestador de serviços
Há
também desvantagens em contratar alguém para fazer
o seu livro, sendo a primeira e mais óbvia a de que você
é quem paga por isso.
A segunda desvantagem, em geral desconsiderada por autores de primeira
viagem, é o que você vai fazer com os livros prontos.
Relembrando, os prestadores de serviço fazem exatamente o
que se propõem – imprimir o seu livro – e nada
mais! Comercializá-lo é outra história, e muito
escritor auto-publicado descobre como é difícil vender
mil livros, e o espaço que esses pacotes ocupam debaixo da
cama, em cima do armário, no fundo da garagem...
A terceira desvantagem é a falta de prestígio de fazer
e vender os próprios livros, que pode em parte ser contornada
pelo uso de profissionais muito bons e pela criação
de um selo editorial fictício. O público em geral
tende a encarar a obra publicada pelo próprio autor como
amadorística ou de qualidade duvidosa por não ter
sido aceita por uma editora comercial.
A quarta desvantagem é a de que o livro em geral não
tem chance de caminhar por pernas próprias, mas precisa de
sua assistência em cada etapa. Você vai ter de aprender
um pouco de revisão, normalização, dar palpites
em diagramação, decidir-se entre papéis, descobrir
como fazer uma ficha catalográfica e requerer um número
de ISBN, como funciona deixar livros em consignação
em livrarias etc etc. Ou seja, transformar-se em todos os profissionais
de uma editora comercial, para acompanhar e mesmo fazer os trabalhos
de produção e comercialização de um
livro. E o que você não souber ou não tiver
tempo para fazer, não será feito.
Quando
procurar uma editora comercial
Dadas
as vantagens e desvantagens de cada tipo de editor, você pode
se decidir sobre qual deles abordar. Para ter alguma chance de ser
seriamente considerado por uma editora comercial, sua obra precisa
de alguns requisitos mínimos.
O primeiro é um tema comercialmente interessante (veja mais
em seleção da editora). Note que quem precisa achar
o tema vendável é a editora e não você...
O segundo é você ter credibilidade como autor. Um advogado
será considerado se apresentar um original sobre direito,
mas não se trouxer poesias sobre sua musa.
O terceiro é ter um público-alvo definido, o que significa
você conseguir dizer exatamente que grande grupo de pessoas
com alta probabilidade compraria o seu livro. Por exemplo, senhoras
de meia idade têm chance de se interessar por um livro sobre
menopausa. Adolescentes de classe média provavelmente comprariam
uma ficção sangrenta e sensual.
Quando procurar uma editora prestadora de serviço
Nem
sempre uma editora comercial é a melhor alternativa. Cabe
a você considerar contratar uma prestadora de serviço
em alguns casos:
Primeiro, se você não tem interesse em adaptar sua
obra para o gosto de um público que não conhece. Se,
por exemplo, você deseja escrever uma história da família
em princípio para circular apenas entre seus primos e netos,
não perca tempo tentando publicá-la por uma editora
comercial.
Segundo, se você tem um público comprador cativo. Por
exemplo, se você é professor de estatística
de turma após turma universitária e escreveu um manual
para facilitar o seu curso, pode ter certeza de que irá ganhar
muito mais dinheiro se vendê-lo diretamente a seus alunos
do que se uma editora comercial publicá-lo e repassar-lhe
apenas os dez por cento de direitos autorais de praxe. Claro que
você precisa pesar se a obra tem chance de ser adotada por
muitas escolas (quando vale a pena usar uma editora comercial) ou
se a concorrência de outras obras é grande e você
tem certeza apenas de vender para a sua própria faculdade
(quando é mais lucrativo bancar a impressão e receber
cem por cento do preço de capa).
Terceiro, quando interessa mais a você do que a um editor
comercial ver sua obra publicada. Por exemplo, se você faz
carreira acadêmica, é bem mais atraente para você
receber pontos por ter sua dissertação ou tese publicada
do que para uma editora comercial arriscar-se a colocar uma obra
super específica no mercado. Tanto que já existem
editoras que fazem um misto de prestação de serviço
e edição comercial, dividindo os custos com autores
de obras acadêmicas de boa qualidade mas venda difícil.
No caso de um trabalho que você considere realmente pertinente
para o seu ramo mas com poucas chances de seduzir um público
maior, recomendo que publique uma edição baixa (duzentos
ou trezentos exemplares) por conta própria, mas inventando
um nome de editora para constar na capa e nas folhas de rosto por
questões de prestígio. Invista para ter uma obra com
aparência profissional (com ficha catalográfica, ISBN,
código de barras, impressão razoável) e distribua
entre as bibliotecas e institutos onde ela possa ser usada como
referência. Você acaba atingindo o seu objetivo de divulgar
o seu trabalho e ser reconhecido por seus pares sem passar pela
dor de cabeça de tentar convencer uma editora a investir
na obra.
Em qualquer caso, planeje uma bela noite de autógrafos, convidando
todo mundo que você conhece, inclusive seus colegas de primário
e sua primeira babá. Quase qualquer livraria aceita fazer
lançamentos e gerenciar a venda de seu livro por uma noite,
montando pilhas na vitrine, reservando uma mesa para você
e oferecendo um coquetel. Dependendo do seu número de amigos,
o lançamento pode pagar uma parte ou todo o custo de impressão.
^^
topo ^^
Preciso
registrar meu original? |
Muitos
autores ficam nervosos com a possibilidade de, ao mandarem seus
originais para análise por uma editora, terem seu texto plagiado.
Apesar de não ser impossível, isso é bastante
improvável. Os textos que mais correm riscos de serem copiados
sem autorização são os altamente técnicos,
que possam servir de referência dentro de uma outra obra já
publicada pela editora. Por exemplo, se você fez um levantamento
maravilhoso de toda a bibliografia existente a respeito de geografia
e a editora tem livros de geografia publicados, talvez alguém
se sinta tentado a copiar o seu texto.
Isso no entanto é extremamente raro. A desonestidade mais
freqüente é o não pagamento dos direitos autorais,
ou uma prestação de contas incorreta pela editora
na hora de fazer o acerto. Portanto, a hora de mais pesquisar a
idoneidade da editora é antes de assinar um contrato de publicação.
Uma outra coisa que acontece também com certa freqüência
é a editora não querer publicar a sua obra porque
você é desconhecido, mas achar que a sua idéia
é boa. Algumas casas editoriais nesse caso passam o conceito
para um autor que já conheçam, para que desenvolva
um livro mais de acordo com seus parâmetros. Para evitar que
isso aconteça – e que, pelas nossas leis, é
inteiramente legal, uma vez que idéias não podem ser
protegidas, apenas textos – apresente apenas originais muito
bem trabalhados e o mais profissionais possível, para que,
se houver interesse, a editora já prefira o seu trabalho
pronto a encomendar algo parecido a outro escritor.
Se você ainda assim deseja registrar seus originais, a Biblioteca
Nacional faz esse serviço por uma pequena taxa.
O endereço é Fundação Biblioteca Nacional,
avenida Rio Branco, 219/239, 4º andar, cep 20030-120, Rio de
Janeiro, RJ, telefone (21) 262-8255, e-mail czaher@bn.brr,
www.bn.br.
Essa
é a pergunta que todo autor faz aos editores, mesmo antes
de seus originais serem aceitos. Deixe-me dar-lhe uma dica que já
irá diferenciar a sua abordagem de quase todos os outros
autores estreantes: não aborreça um editor com essa
pergunta.
A razão é simples: é muito difícil um
original ser aceito por uma editora comercial. Apenas um em cada
mil originais submetidos, em média, chega a ser levado a
sério para publicação. Por conseguinte, o editor
não tem a menor vontade de ficar explicando como funciona
o pagamento de direitos autorais a quem, muito provavelmente, será
recusado. E fazer essa pergunta já demonstra o seu amadorismo.
Direitos
autorais
O
pagamento de direitos autorais no Brasil obedece às convenções
mundiais deste ramo. Autores ganham em média 10% do preço
de capa (o preço pelo qual o livro é vendido nas livrarias)
de cada exemplar de fato vendido. A maioria dos contratos abre exceções
para vendas especiais, como grandes quantidades da obra serem compradas
por alguma instituição governamental, quando a porcentagem
do autor é menor. Editoras muito grandes, que investem pesadamente
na divulgação do autor e fazem altas tiragens, como
as de didáticos e paradidáticos, também costumam
ter contratos com porcentagens menores de direitos para o autor.
É prática comum um autor de livro didático
assinar um contrato garantindo apenas 5% de direitos sobre preço
de capa, ou ainda 10% sobre o preço de venda, que é
o preço pelo qual o livro é vendido aos distribuidores
e não ao consumidor final, ou seja, é um preço
mais baixo, com desconto.
Isso tudo se traduz no seguinte: é muito, muito improvável
que você fique rico – ou sequer ganhe pelas horas dedicadas
ao livro o mesmo que recebe com outras atividades profissionais!
– se você está publicando o seu primeiro livro
e não é 1) uma celebridade (ou amante, cônjuge,
ou parente de uma); 2) não fez nada de (muito) espetacular;
3) não é alguém que controle meios de distribuição
de livros ou de divulgação, como por exemplo ser proprietário
de uma rede de livrarias ou de um canal de televisão ou de
um grande jornal.
Veja o exemplo: se uma editora faz uma tiragem de dois mil exemplares
de seu livro, e ele custa em torno de R$ 20, você vai receber
R$ 2 para cada livro vendido, o que não inclui os exemplares
de divulgação, enviados para a imprensa, sua cota
de autor etc.
Ou seja, se a edição se esgotar em um ano, o que é
muito bom para um autor novo, você vai receber apenas R$ 3.600!
E isso dividido em acertos semestrais, em geral sem correção!
Como disse, você não vai ficar rico. E se você
acha que vender 1800 exemplares de um livro em um ano é fácil,
experimente fazer a edição por conta própria
e sair por aí. Tenho certeza de que você levará
um choque. Se, no entanto, você tem um público cativo,
confira as vantagens de uma edição própria,
com ganhos mais altos que 10%, em Quando procurar uma editora prestadora
de serviço.
Como
ficar rico
Existe
um modo de ganhar dinheiro com livros, mas ele não é
fácil nem garantido. Os autores bem-sucedidos em geral começam
todos com um primeiro livro modesto, que não vende muito
mas abre caminho para os seguintes. Quando você consegue conquistar
um público fiel ao seu estilo de literatura, ou que busca
sempre um determinado tipo de livro de não-ficção
(como auto-ajuda, marketing, aulas de química, jardinagem),
você começa a ganhar dinheiro com uma série
de livros.
Por exemplo, digamos que você invente uma nova maneira de
treinar cães de guarda e escreva um livro. O primeiro pode
ser bem-recebido apenas por veterinários e outros treinadores
e vender uma edição lentamente. Mas se você
percebe que descobriu um filão (pelos artigos nos jornais
especializados, pelas cartas de quem comprou, pela reação
dos profissionais do ramo), pode escrever um segundo livro enfatizando
a rapidez do seu método e acrescentando, por exemplo, um
programa passo a passo para qualquer pessoa treinar o seu pastor
em dez dias. Se fizer sucesso, pode então escrever um terceiro
apenas sobre cães fila, e assim por diante. Tendo um assunto
do interesse do público e uma abordagem original e acessível,
você pode ganhar bastante dinheiro construindo toda uma série.
Aí, as vendas do terceiro livro puxam as do primeiro e levam
à reimpressão do segundo. As pessoas que gostaram
de um dos seus livros têm mais chance de se arriscar a comprar
outro. Você se torna um nome de referência para os livreiros
quando alguém pergunta sobre obras para treinamento de cachorros.
E assim vai.
Esse tipo de movimento é característico de quase todos
os autores de muita vendagem, pode conferir. O mesmo tipo de raciocínio
vale para ficção, quando um autor descobre um subgênero
– como romances históricos, ou aventuras de mergulhadores,
ou ainda advogados detetives – muito específico, de
preferência com um herói ou num estilo inimitável,
que tenha grande aceitação pelo público.
Existem as exceções, os bestsellers instantâneos
de autores que vieram do nada. Como editora, já acompanhei
o espetacular nascimento de, por exemplo, Feliz ano velho, de Marcelo
Rubens Paiva, na década de 1980. Você pode ter certeza
que todo editor sonha com um estouro desses mas é realista
o suficiente para não contar com isso. Você fará
bem em seguir o exemplo e plantar os pés no chão.
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topo ^^
Onde
encontro uma
lista de editoras? |
Você
não encontra. Já cansei de responder a esta pergunta,
como muitos de meus colegas editores, e deixo aqui a dica de como
você pode encontrar a editora certa para seu original.
Você não pode ter preguiça e não pode
querer uma abordagem em massa. Ações em série
raramente dão certo no mercado de cultura, onde cada pessoa
sente que sua empresa e seus produtos são únicos e
diferenciados. O original que chega à editora errada acompanhado
de uma carta padrão é recusado em questão de
segundos.
Portanto, querer uma lista de todas as editoras que publiquem livros
infanto-juvenis é uma total perda de tempo, por exemplo.
O mercado brasileiro tem centenas de editoras, perto de oitocentas
em funcionamento. Algumas enormes, multinacionais, outras de uma
sala no fundo do quintal do dono. Algumas são católicas,
outras espíritas, agnósticas, comunistas. Há
editoras para todos os gostos, credos, tendências, níveis
culturais e profissões do público. Cada área,
como a de infanto-juvenis do exemplo, têm uma série
enorme de casas editoriais, porém cada uma com suas características
e preferências.
O que você precisa fazer é encontrar as poucas editoras
que combinam – em ideologia, conteúdo, religião
etc – com o teor do seu original.
E como você faz isso?
1) Defina o gênero de seu original. Se é um romance,
você só vai procurar editoras que publiquem romances.
Se é filosofia, só as que publicam filosofia. Parece
óbvio, eu sei, mas é incrível a enxurrada de
originais que chegam nas editoras que não tem nada a ver
com o assunto da obra...
2) Vá a uma boa livraria e veja quais editoras estão
publicando o seu gênero. Confira ali na prateleira do assunto
parecido com o seu as várias editoras – provavelmente
muitas delas até então desconhecidas para você
– que arriscam publicar obras de a) brasileiros b) não
famosos c) nos últimos dois anos, pois não adianta
enviar para editoras que mudaram de linha ou só publiquem
autores estrangeiros ou só invistam em nacionais muito conhecidos.
3) Se possível compre e leia as obras da mesma área
que a sua para ter certeza de que a linha política, religiosa
ou filosófica da editora combina com a de sua própria
obra.
4) Veja na página de créditos – a 2 ou a 4 –
dos livros na mesma sintonia do seu original o endereço da
editora que o publicou. Se você procurar direito, deve encontrar
umas cinco ou seis apropriadas, não mais.
5) Envie seu original apenas para aquelas, acompanhado de uma carta
personalizada, dirigida àquela editora específica.
Explico melhor como enviar o original mais adiante.
E
procurar pela internet não adianta?
Na
minha opinião, não. Porque pela internet você
não vê a data de publicação, não
tem como avaliar o conteúdo ideológico ou de estilo
do livro, e não pode conferir se a editora tem alguma penetração
em livrarias, já que não foi lá que você
encontrou o título. É difícil ainda sentir
a qualidade do trabalho de edição e de impressão
da editora. Acho que nada substitui várias visitas às
boas livrarias.
E
se eu morar numa cidade que não tenha livrarias?
Nesse
caso sugiro que você compre pela internet, pelo correio, vários
livros parecidos com o seu original, para aí conferir no
produto que tiver em mãos se as editoras que os publicaram
realmente têm uma linha compatível com a sua obra.
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topo ^^
Se
você der uma olhada no que eu disse sobre editoras comerciais,
verá que abordá-las é como ir a um banco pedir
um empréstimo. Todo banco precisa emprestar dinheiro, assim
como toda editora comercial precisa encontrar bons autores inéditos.
Acontece que, como há muita gente sem garantias pedindo empréstimo,
também são muitos os autores apresentando obras impossíveis.
Por isso, contam a calma, a boa educação e as expectativas
realistas de sua parte.
Linha
editorial adequada
Como
já disse, a enorme maioria dos originais que chegam a uma
editora não têm nada a ver com a linha editorial da
casa.
O que é linha editorial?
Linha editorial são os assuntos – ou gêneros
literários – que a editora costuma publicar, e também
a abordagem dentro dos assuntos. Se você for a uma grande
livraria, verá que habitualmente os livros são divididos
em algumas categorias, como história, auto-ajuda, romances,
marketing etc. Uma livraria como a Cultura de São Paulo tem
mais de cem divisões principais, fora as subdivisões.
Essas podem ser consideradas linhas de publicações
praticadas pelo mercado.
Dentro de uma mesma área, como por exemplo sociologia, você
encontra várias tendências: historiográficas,
antropológicas, de esquerda, de direita, pró-Estados
Unidos, pró-França e por aí vai. Se você
quer ter alguma chance de ser considerado por uma editora, precisa
encontrar uma que publique o gênero dentro do qual a sua obra
se encaixa, inclusive com o mesmo enfoque que você deu.
Nessa seleção, você precisa ter muita frieza.
As editoras não têm interesse em adequar as suas linhas
a você, é você quem precisa se adequar a elas.
Se a sua obra é “mais ou menos” parecida com
as que uma casa publica, você vai ser recusado. Não
adianta você levar sua autobiografia (sendo que você
é um vendedor de carros aposentado) dizendo que ela tem um
caráter histórico. As editoras de história
vão todas recusar a sua obra, e apenas editoras que eventualmente
publiquem autobiografias de pessoas não famosas poderão
se interessar.
A maneira de saber o que as editoras publicam é indo até
uma boa livraria e vendo o que foi lançado na sua área.
Não adianta tampouco localizar editoras que nos anos setenta
publicavam poesia, mas que agora se dedicam apenas à informática.
Muitas vezes, as linhas editoriais são fruto das preferências
de um editor específico, que pode se aposentar ou trocar
de emprego. Verifique o que tem acontecido no mercado nos últimos
dois anos.
Nunca -- nunca! -- mande uma carta dizendo “não conheço
a sua editora, mas estou enviando minha obra”. A pessoa que
seleciona os originais vai pensar que, se você não
se deu ao trabalho de fazer uma simples pesquisa em uma livraria,
com certeza não está apresentando uma obra adequada
à linha editorial da casa.
Para que insultar uma empresa que você quer interessada em
você?
Originais
impressos, limpos e organizados
Apresentação
conta. Quando for enviar seu material a uma editora, imprima ou
fotocopie o seu original sem sujeiras ou áreas cinzentas
ou letras apagadas. Evite também correções
a mão. Por outro lado, não gaste seu dinheiro com
encadernações luxuosas ou fotos de autor produzidas
em estúdio. O necessário é enviar um material
fácil de ler, não um livro acabado.
É completamente irrelevante fazer uma diagramação
caprichada de sua obra, como se as páginas fossem ser impressas
a partir dali. Os programas usados para a paginação
profissional de livros são o PageMaker ou o QuarXpress, e
tudo o que você faz no Word exceto o texto é perdido
na transcrição. Fontes exóticas, cores, tabulações,
recuos e outros recursos para embelezar as páginas devem
ser evitados porque chegam a atrapalhar. Use apenas o que for necessário
para diferenciar títulos de subtítulos e de aberturas
de capítulo.
Não apresente idéias de capa ou de ilustrações
internas. Enviar uma capa desenhada por um amigo dá a idéia
de que você é um amador que não entende absolutamente
nada de publicações. A capa é uma decisão
editorial e de marketing importante, que envolve a imagem e o estilo
da editora. A menos que você esteja apresentando o trabalho
de um capista qualificado e experiente, sua sugestão irá
apenas aborrecer o editor.
Faça uma revisão de seu texto. Apartes do tipo “essa
obra não foi revisada, sei que a editora conta com ótimos
profissionais“ não impressionam nada bem. Se você
é tão incompetente com o Word que nem passar a revisão
ortográfica consegue, não transmite a segurança
de quem sabe sobre o que está escrevendo. Peça a um
amigo ou a um revisor profissional para eliminar pelo menos os erros
ortográficos mais gritantes, se isso está fora do
seu alcance.
Numere as páginas de sua obra. Ela não precisa estar
encadernada, mas se não estiver numerada, um acidente --
como deixá-la cair no chão -- pode tornar a leitura
impossível.
Escreva o nome da obra, seu nome verdadeiro e de eventuais co-autores,
seu endereço, e-mail e telefones de contato na primeira página.
Muitas obras se perdem porque os autores colocam seus endereços
apenas no envelope, e este se separa da obra ao ser enviado para
leitura. Se quiser ser mesmo cauteloso, imprima seu nome e telefone
no alto de todas as páginas, como um cabeço. O eventual
uso de pseudônimos pode ser decidido depois, caso um contrato
venha a ser negociado.
Acrescente apenas as ilustrações e gráficos
que forem necessários à compreensão do texto,
uma vez que é a editora que decide como diagramar seus livros.
Se você precisar incluir imagens que não sejam suas,
terá de citar a fonte completa ou, em caso de fotos, pedir
permissão para a reprodução. Evite portanto
se apropriar de material publicado em outros livros, visto que dá
muito trabalho ficar obtendo permissão das editoras originais.
Carta
de apresentação
Seu
original deve ser acompanhado de uma carta simples e resumida de
apresentação. Nela é ideal que você cite
algumas coisas.
Comece com o nome do editor responsável pela área.
Faça uma pesquisa e evite o genérico “Excelentíssimo
senhor editor”, porque muitos editores são jovens sem
qualquer afinidade com honoríficos, e mais da metade são
mulheres! Melhor começar com “Prezada dona Sônia”.
Mencione o gênero de sua obra e a coleção em
que ela se encaixa na editora, ou uma obra na mesma linha que aquela
casa tenha publicado. Isso demonstra que você se deu ao trabalho
de pesquisar o catálogo da editora e sabe o que ela publica.
Explique rapidamente o diferencial de sua obra em relação
a outras no mercado. Não é bom você dizer que
sua obra é parecida com a de um grande mestre porque o editor
preferirá continuar publicando quem já é conhecido.
É mais eficiente você dizer em que a sua obra é
melhor, ou mais abrangente, ou mais atualizada que a do grande mestre,
para que o editor se interesse em concorrer com a obra já
famosa.
Se você escreveu uma obra de não-ficção,
precisa mencionar suas qualificações como autor: se
é professor, pesquisador, aficcionado pela área etc.
Note que não adianta você ser um juiz renomado se está
apresentando um livro sobre natação, nem querer publicar
uma crítica ao sistema judiciário se você é
professor de educação física. Você precisa
demonstrar ao editor que entende do assunto sobre o qual está
escrevendo.
Se tiver outras obras publicadas, mesmo que apenas artigos, mencione-as.
Recomendações de pessoas importantes contam, mas apenas
as de profissionais da área sobre a qual o livro trata. Se
seu livro é de culinária, colecione comentários
de chefes e donos de ótimos restaurantes, e esqueça
os de amigos e parentes. Se a sua mãe e os seus amigos não
elogiarem você, quem irá fazê-lo?
Cuidado com as recomendações dúbias. Muita
gente famosa evita fazer referências positivas a obras de
amigos e conhecidos, optando por declarações simpáticas
e vazias. Editores são mestres na leitura entrelinhas, e
uma recomendação dessas pode acabar funcionando contra
a sua publicação. Cite apenas quem fala muito bem
de seu trabalho.
Caso você trabalhe em algum meio de comunicação
poderoso, ou tenha acesso a muitos clientes, alunos ou outros possíveis
compradores de seu livro, mencione isso rapidamente. Conquanto não
seja suficiente para que sua obra seja publicada, pode ajudar na
decisão caso haja dúvida sobre a editora arriscar
em você ou não.
Em sua carta, evite adjetivos e comentários auto-elogiosos
como “essa é a melhor obra que você já
leu”, porque o editor prefere julgar por ele mesmo. Também
passe longe de argumentos como “publique logo ou irá
se arrepender”. Editores têm uma longa experiência
de sucessos e fracassos e sabem que ninguém, mas ninguém
mesmo, consegue garantir que uma obra será um sucesso. Já
viram autores de muita vendagem lançar livros que acumulam
poeira nos depósitos, assim como obras esquisitas de repente
caírem nas graças do público.
Você querer ensinar a missa ao padre só aborrece, e
desperta pensamentos do tipo “se você tem tanta certeza
que sua obra será um sucesso, porque não pede um empréstimo
ao banco e a publica você mesmo? Seria você quem ganharia
todo esse dinheiro que diz que eu vou ganhar...”
Atitude
profissional
Relembrando
uma vez mais, quando você apresenta uma obra a uma editora
comercial, está pedindo um empréstimo. Portanto, além
de fazer um esforço para procurar uma editora que concorde
com o conteúdo de sua obra, e apresentá-la o mais
limpa e legível possível, você precisa respeitar
o modo de funcionamento da editora.
Já fui visitada por muitos autores demandando que eu chegasse
a uma decisão sobre a obra deles de uma semana para outra,
porque iam viajar, ou queriam ser publicados antes do Natal, ou
outra razão qualquer. É o equivalente a entrar no
Banco do Brasil e querer quinhentos mil reais hoje, porque você
precisa comprar um maquinário para a sua fábrica amanhã.
Você acha esta uma tática eficiente para convencer
com um gerente de banco?
Editoras têm uma maneira de funcionar. Seguem uma rotina para
a apreciação de originais, e mesmo obras altamente
interessantes requerem tempo para ser lidas e estudadas. Além
disso, toda editora que se preze se programa para publicar um determinado
número de livros por mês. Algumas são mais elásticas
e até podem colocar um livro na frente de outro, mas é
comum que tenham prioridades e prazos com outros autores a cumprir.
Mesmo que queiram apressar loucamente uma publicação,
não conseguem editar um livro decentemente antes de dois
ou três meses depois da assinatura do contrato.
Portanto, entrar na sala de um editor exigindo decisões imediatas
é o mesmo que pedir para ser recusado. Querer que as suas
necessidades e conveniências sejam consideradas acima das
da empresa é completamente irrealista. E pressionar um profissional
atarefado para que atenda você em detrimento de suas outras
atividades é de uma sensacional falta de tato, que em geral
provoca apenas irritação. Se você não
é presidente da República, nem da General Motors,
nem dono do maior jornal do país, nem filho do dono de um
grande canal de televisão, evite essas táticas invasivas
e agressivas.
Respeite o tempo de resposta da editora. Ficar telefonando e pedindo
uma decisão é cortejar uma resposta negativa. O profissional
do outro lado às vezes não consegue tempo para avaliar
originais, e a sua ansiedade de autor pode precipitar uma recusa
para que simplesmente pare de incomodar. Se a sua obra tem a ver
com a editora, em algum momento será avaliada.
Não queira um parecer sobre a qualidade de sua obra, a menos
que você se disponha a pagar por uma leitura crítica
e a editora ofereça esse serviço. Para que essa relação
flua melhor e você sinta menos ansiedade, facilita entender
que o editor não é um profissional pago para dar aulas
ou explicações, mas sim para escolher obras que combinem
com a linha da editora, rendam boas vendas e alto prestígio.
Você só vale a pena em termos de investimento do tempo
dessa pessoa se apresentar uma obra que seja quase ótima
e precise de uns poucos ajustes para ser publicada. Se mandar algo
que não tenha qualquer potencial de entrar no catálogo
da editora, evidentemente o editor não quererá ficar
explicando comos e porquês.
Imagine que precisa comprar uma geladeira. Você mediu sua
cozinha e sabe que pode comprar uma de até um metro de largura,
prefere uma branca, com congelador separado, de até setecentos
litros. Você tem um preço máximo que pode pagar.
Aí vai a uma loja e começa a olhar um modelo. Um vendedor
ansioso mostra como ela abre, diz suas especificações
e preço. Você fica avaliando e ele começa a
insistir para você resolver, pois já está ali
há meia hora. Não é irritante?
Você depois decide não comprar aquela geladeira, seja
porque é vermelha, seja porque não gostou do tamanho,
seja porque é cara demais. Agora imagine como seria estranho
e cansativo se você tivesse de explicar ao vendedor exatamente
porque não quer aquela geladeira e se ele, ainda por cima,
ficasse ofendido e tivesse um ataque de ansiedade!
O editor tem todo o direito de recusar uma obra sem explicação.
Lembre-se de que se trata de um negócio, conduzido por profissionais
ocupados que tentam cumprir metas. Não há espaço
para afagos ao ego, ataques de ansiedade e grandes sensibilidades
nessa transação.
Envio de originais para várias editoras
É
perfeitamente razoável que você envie uma cópia
do seu original a todas as editoras que publiquem aquele assunto
com o seu enfoque, assim você evita ficar aguardando a resposta
de uma para consultar outra. Se fizer uma boa pesquisa, provavelmente
você não irá levantar mais do que uma meia dúzia
de concorrentes. É educado, no entanto, avisar as editoras
caso uma delas aceite o seu original, para que interrompam o processo
de avaliação.
Conselho amigo: só considere ter tido uma resposta positiva
depois que assinar um contrato. Qualquer conversa antes é
mera especulação, que pode evaporar de repente se
o editor mudar de emprego, ficar doente ou grávida, se um
bestseller inesperado naquela área aparecer no mercado ou
qualquer outro acidente do gênero.
Às vezes você pode querer forçar uma resposta
positiva de uma editora mais importante se já tiver sido
aceito por uma editora comercial pequena. Tente, mas leve em conta
o que eu já disse sobre a atitude mais adequada para se tratar
com editores e refreie impulsos agressivos.
Outro conselho amigo: não minta. O mercado editorial brasileiro
é pequeno, os profissionais se conhecem e costuma ser fácil
verificar se determinada editora aceitou o seu original ou não,
caso isso pareça improvável. O editor pode também
ficar genuinamente contente que alguém vai publicar a sua
obra e lhe desejar boa sorte, sem querer competir com a outra editora.
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topo ^^
Preciso
de um agente literário? |
Não
há (ainda?) no Brasil muitos agentes que concordem em representar
autores desconhecidos. Em geral, os grandes profissionais da área
trabalham apenas com escritores já publicados ou com recomendação
destes. Portanto, essa pergunta é quase respondida com um
“não” pela mera falta de agentes.
Ainda assim, algumas pessoas oferecem o serviço de agenciamento.
Na seção de serviços desse site há alguns
contatos que você pode conferir. O que precisa levar em conta
é que um agente não faz milagres, visto que valem
as mesmas regras de seleção editorial para os trabalhos
fornecidos por agentes e por autores auto-representados.
O que o agente faz é exatamente o que sugiro que você
faça por conta própria, ou seja, selecionar as editoras
adequadas antes de enviar uma cópia de sua obra para análise.
Como o agente conhece o mercado, os editores sabem que não
virá oferecendo um completo absurdo para análise.
Afora esta maior boa vontade para com as obras assim apresentadas,
não há diferenciação de tratamento até
a hora de negociação do contrato, quando um agente
tenta conseguir o melhor acordo para o autor, mas ao custo de ficar
com uma parcela dos direitos autorais.
Os agentes que aceitam autores ainda inéditos têm também
o mesmo problema que os editores, que é separar o minimamente
publicável das pilhas de material pouquíssimo profissional.
Assim sendo, a maioria cobra uma taxa para fazer a leitura da obra
e avaliar suas possibilidades de ser negociada com alguma editora.
A maioria das editoras aceita analisar originais apresentados espontaneamente,
seja por autores, seja por agentes. Quando a editora diz que só
recebe material de agentes, provavelmente ela está indicando
uma preferência por autores muito conhecidos. Ou seja, a linha
editorial dela não está aberta para autores inéditos.
Veja em Onde encontro uma lista de editoras? a forma de selecionar
editoras que aceitem analisar autores desconhecidos. No atual estado
do mercado livreiro brasileiro, há uma quantidade respeitável
de editoras pequenas que se arriscam bastante, ninguém precisa
ficar aborrecido com as grandes e hiper seletivas.
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topo ^^
Meu
original foi recusado.
Por quê? |
Se
a sua obra foi recusada, não se abale. Menos de uma em mil
obras espontaneamente submetidas a uma editora são seriamente
consideradas. Dependendo do motivo, é relativamente simples
tentar novamente de modo mais eficiente.
Em geral há muitas razões para uma editora recusar
um trabalho, que podem ser resumidas no seguinte: quem avaliou a
sua obra achou que ela 1) não tinha qualidade suficiente;
2) não estava dentro da linha editorial da casa; 3) não
venderia ou 4) prejudicaria a imagem da editora. Veja os raciocínios
mais comuns por trás das devoluções de obras.
Falta de qualidade
Se
você escreve sobre algo que conhece apenas superficialmente
– por exemplo, se critica a política do ponto de vista
de um cidadão, sem ser político ou ter experiência
com essas pessoas; sem ser um pesquisador em ciências sociais
– quase não tem chance de ser editado. A menos que
tenha encontrado alguma coisa muito original ou engraçada
para dizer sobre o assunto, o editor raciocina que a sua opinião
é tão válida quanto a de qualquer outro leitor,
e que portanto ninguém compraria um livro que bem poderia
ter escrito também.
Se você envia um original datilografado em lugar de impresso,
cheio de erros ortográficos, com correções
a mão, em fotocópia apagada, suja ou amassada, a pessoa
que faz a seleção tem a imediata impressão
de estar lidando com um autor pouquíssimo profissional, e
quase sempre despacha a obra de má aparência para a
pilha a devolver. Veja como causar boa impressão na pergunta
sobre a apresentação de originais.
Desacordo
com a linha editorial
Linha
editorial é a gama de assuntos que uma editora publica. Se
você mandar livros de poesia para uma editora de assuntos
esotéricos, será sumariamente recusado. Se submeter
uma obra psicografada sobre Jesus a uma editora católica,
seu original não será sequer lido. A grande maioria
dos originais são devolvidos porque não se encaixam
na linha editorial da empresa.
Tristes
perspectivas comerciais
Um
editor deseja vender seus livros. Se você apresenta uma obra
de 400 páginas (que portanto será muito cara para
produzir), é muito difícil que sua qualidade compense
o risco de colocar à venda um livro com alto preço
de capa.
Se você apresenta uma obra parecida demais com outra de sucesso,
o editor em geral não arrisca entrar em competição
com a que já é conhecida.
Se você envia um original sobre um assunto esquisito, para
o qual um livreiro teria dificuldade em encontrar lugar em sua livraria,
muito provavelmente o editor recusa ter que inaugurar todo um gênero
só por causa de sua obra.
Se você, finalmente, escreve uma obra para a qual o editor
não percebe um público-alvo, como por exemplo uma
belíssima crítica sobre os periódicos japoneses
(que quase ninguém no Brasil conhece), sua chance de publicação
é muito baixa.
Baixa
respeitabilidade
Às
vezes, um material é bem escrito, oportuno, interessante
mas sensacionalista demais, ou baseado em relatos pouco confiáveis,
ou vulgar. A maioria das editoras preza muito a sua imagem, fugindo
de obras que, mesmo com boas perspectivas comerciais, possam ser
criticadas pelos jornais e revistas como superficiais, erradas ou
falsas.
Aquilo que pode ser encarado como pornográfico, incitar à
violência, ao racismo, ao sexo com menores de idade, a comportamentos
perigosos ou a atos criminosos em geral também é imediatamente
recusado.
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Mandei
um original faz
seis meses e ninguém
me responde! |
O
trato com as editoras comerciais sem dúvida põe à
prova a calma de qualquer escritor. Se você telefona, muitas
vezes ninguém atende, ou responde, ou sabe de coisa alguma.
Uma resposta pode demorar meses e transformar-se em recusa sem mais
explicações. O original muitas vezes é perdido,
e você não consegue que ninguém conte o que
aconteceu.
O que você não imagina é que toda essa frustração
e raiva tem sua contraparte dentro da editora. Vou explicar como
funciona a avaliação de originais em nosso país,
para tentar sensibilizar você para uma situação
absurda.
A enorme maioria das pessoas que envia obras às editoras
não têm a menor idéia do que está fazendo.
Uma quantidade imensa das obras que chegam têm péssimo
português, são completamente sem nexo, sem público,
sem qualquer chance de ser publicadas. Algumas são até
manuscritas!
Nove entre dez autores iniciantes não se dão ao trabalho
de verificar o tipo de obra que a editora publica. Não é
raro uma editora de sociologia e história receber manuais
de cardiologia, e editoras médicas receberem poesia. Todas
as editoras, aliás, recebem poesia, milhares de originais,
não importando se jamais tenham publicado um único
poeta em sua existência.
Chegam também originais de pessoas contando suas vidas sem
qualquer charme, sem qualquer domínio de técnica estilística,
sem qualquer idéia do que seja um livro. Tem gente que até
diz não gostar de ler mas ter escrito um livro!
Essa avalanche de originais péssimos e amadorísticos
deixa os profissionais que trabalham nas editoras, compreensivelmente,
bem pouco entusiasmados com novos autores. Tanto que em geral a
tarefa da primeira seleção recai sobre estagiários
e é vista quase como um castigo dentro dos departamentos
editoriais. Apenas uma parcela mínima passa para a avaliação
de editores graduados. É prova do otimismo das editoras fazerem
qualquer tipo de seleção das obras espontaneamente
apresentadas, uma vez que as chances de encontrar algo de qualidade
e adequado à linha de publicações da casa é
mínima.
Portanto, não se espante se o tratamento dado a você
não for espetacular. O assistente do assistente editorial
que atende você tem pilhas e pilhas de papel à frente
e não tem como lembrar dos nomes de quem envia material de
todos os cantos do Brasil. O truque é se apresentar da maneira
mais profissional possível, para se diferenciar da grande
massa de completos diletantes, e adotar a atitude correta.
Basicamente, você não tem o direito de pressionar a
editora. Publicar a sua obra é um risco financeiro alto,
que a editora assume se quiser. Veja em como apresentar originais
a melhor maneira de enviar sua obra a uma editora. Mas evite sempre
se irritar ou colocar quem atende você contra a parede. E
se você enviou sua obra há seis meses sem obter resposta
pode, como regra geral, considerá-la recusada.
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topo ^^
Quero
traduzir um livro.
Como faço? |
É
comum que leitores entusiasmados com uma obra estrangeira queiram
traduzi-la para o português e vê-la publicada por uma
editora brasileira. É comum também que façam
a besteira de realmente traduzir a obra e só depois enviá-la
para a avaliação da editora.
Deixe-me explicar como funciona a publicação de obras
estrangeiras.
O Brasil é signatário da Convenção de
Berma, que define o respeito pelas propriedades intelectuais. Isso
quer dizer que qualquer obra estrangeira, para ser legalmente publicada
aqui, precisa ter os direitos de publicação para a
língua portuguesa negociados com o detentor do copyright,
que pode ser o autor ou a editora original, ou ainda alguma fundação.
Quando você apresenta um livro estrangeiro que deseja traduzir
para a avaliação de uma editora, está pedindo
na verdade três avaliações distintas:
1)
Da obra em si. A editora precisa concordar com você
que aquela obra é interessante e merece ser incluída
em seu catálogo. Não é sempre que isso acontece.
2) Dos direitos autorais. Há editoras estrangeiras
que não facilitam a aquisição dos direitos
de publicação, ou não têm agentes que
as representem no Brasil, ou que pedem adiantamentos muito altos.
Pode acontecer ainda de os direitos daquela obra já terem
sido comprados por uma outra editora brasileira, que ainda não
lançou o livro. Portanto, mesmo que a editora brasileira
se interesse pela obra, pode acontecer de ser impossível
adquiri-la.
3) Das suas habilidades como tradutor. Pode acontecer
de a editora se interessar pela obra, negociar os direitos para
a publicação em português de forma favorável,
mas ainda assim considerar você um tradutor inferior a algum
outro da casa.
Portanto,
se você deseja traduzir uma obra, apresente uma cópia
completa do livro original, incluindo a página de créditos
que define de quem é o copyright, para as editoras que julgar
interessadas. Escreva uma carta explicando porque acha aquele livro
importante para os leitores brasileiros e se ofereça para
fazer a tradução, caso a obra seja levada adiante.
Acrescente um teste da sua tradução, de no máximo
um capítulo, para que o editor possa julgar o seu trabalho,
e aguarde.
Um outro caminho, mais árduo, é você adquirir
os direitos de publicação da obra no Brasil e aí
tentar repassá-los a uma editora ou fazer a edição
por conta própria. Se você acredita muito na obra,
pode até seguir por aí, mas além das dificuldades
de uma edição própria, terá a de negociar
com estrangeiros que nem sempre confiam muito na probidade dos brasileiros.
E precisará garantir que fará a edição
mesmo sem ter uma editora, o que não é fácil
de prometer nem de cumprir.
Como
publico minhas poesias? |
Recebo
muitas críticas a respeito de minha posição
sobre poesia. Fico firme nela, achando que nenhum editor pode ser
obrigado a ter prejuízo (veja COMO ENCONTRAR UMA EDITORA)
só porque há um sem número de poetas desejando
um modo de se expressar em público. Ainda assim, apresento
a seguir algumas idéias sobre como aumentar a sua chance
de divulgar seus textos poéticos.
Poesia costuma ser recusada não só porque não
vende, mas também devido à postura dos poetas. Vou
comentar o que acho mais problemático.
Muitos escritores talentosos, por exemplo, gastam sua imaginação
imitando o estilo de grandes mestres.
Não faça isso!
Nada impede o leitor de comprar os poemas originais de Fernando
Pessoa ou Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade ou
Florbela Espanca. Os livros desses poetas existem na praça,
costumam ser reeditados e apreciados. Imitar o estilo deles é
pedir para ser ignorado, porque a maioria das pessoas prefere o
original a uma cópia posterior.
Minha sugestão portanto é que você crie um estilo
todo seu, parecido com o de ninguém, e insista nele. Diferencial
é importantíssimo nessa era de excesso de publicações.
Outra besteira constante, na minha opinião, é poetas
recorrerem a temáticas do século XIX, como amor ligado
à dor, musas em flor, campos (também em flor!) e outros
temas que foram favoritos de românticos tanto tempo atrás.
Por que poesia precisa remeter a um passado distante e bucólico?
Encontre lirismo, beleza, interesse para os sentidos no que existe
hoje, no século XXI. Se você escolher assuntos que
jamais foram alvo de considerações pelos poetas famosos,
como talvez seqüestros ou personagens da Casa dos Artistas
ou a televisão ou festas infantis em bufês, aumenta
muito sua chance de interessar um editor comercial. Poesia afinal
foi criada para nos fazer olhar de modo diferente para o que está
em volta, não é mesmo?
Quando produzir uma obra, aliás, minha sugestão é
que crie um tema condutor que possa atrair a atenção
do leitor. Poesias sobre tudo são o mesmo que poesia sobre
nada. Escolha explorar vários ângulos -- interessantes,
fascinantes, originais, que ninguém tenha feito antes! --
de um mesmo tipo de assunto. Os bufês infantis de meu exemplo
anterior podem ser temas áridos, mas talvez não a
infância consumista, por exemplo.
Muitos poetas insistem ainda -- de modo nervoso, irritado -- em
querer ser publicados por editoras comerciais quando falam apenas
de si mesmos, de suas vidas, sem que nada de muito diferente tenham
feito. Ora, sua vida interessa a quem conhece você, quem gosta
de você. Se você escreveu algo sem chance de poder encantar
a um norueguês daqui a cinqüenta anos, sugiro que parta
para a publicação por conta própria.
Divirta-se fazendo uma noite de autógrafos entre seus amigos
e parentes, faça o livro que você deseja sem a pretensão
de comercializá-lo. Espalhe entre os seus conhecidos um pouco
do que você sente, sem desejar o envolvimento da indústria
livreira.
Sugiro também que considere outras formas de publicação.
Não conheço o funcionamento de veículos como
cartões postais, cadernos e agendas, mas tenho visto nesses
meios, assim como nas músicas, um canal para a expressão
de muitos poetas. Caberia pesquisar como estes meios processam a
seleção de seus materiais e talvez apresentar-lhes
sua obra.
Vejo a música, hoje, como o canal mais poderoso de divulgação
da poesia, não os livros. Portanto, quem deseja fazer fama
e fortuna com letras tem muito mais possibilidades de encontrar
aí, e não no mercado de livros, um canal possível
para a sua arte e lirismo.
Boa sorte!
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topo ^^ |