Aqui você realmente descobre como funciona o mercado de livros!
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Encontre uma editora


Como posso publicar meu livro?

 

Editoras comerciais e prestadores de serviço

Quando você deseja publicar um livro, tem dois caminhos diferentes pela frente: a contratação de um prestador de serviços ou a submissão dos originais a uma editora comercial.
A diferença é mais ou menos como fazer compras em uma loja e pedir um empréstimo a um banco, ou seja, trata-se de dois tipos de negócio bastante diferentes mas com a infelicidade de se denominarem ambos “editores”.
Os editores que prestam serviço fazem tudo o que você deseja, porque os seus ganhos provém de vender os serviços de diagramação e impressão. Isso quer dizer que eles não avaliam os originais nem têm qualquer envolvimento com as vendas do livro, apenas transformam o original que você entrega no objeto livro.
Uma editora comercial funciona de outro modo, assumindo os riscos (entenda custos) da publicação. Isso quer dizer que há todo um processo de escolha, uma vez que os ganhos do editor comercial provêm da venda dos livros.
O editor comercial só sobrevive, portanto, se conseguir comercializar os livros que edita num mercado altamente competitivo e seletivo.
É crucial você entender que, se está pagando alguma coisa, não está lidando com uma editora comercial mas com uma prestadora de serviços.

Vantagens de uma editora comercial

Ter seu livro publicado por uma editora comercial tem uma série de vantagens.
A primeira delas já foi mencionada: você não precisa pagar nada pela preparação dos originais, revisões de provas, diagramação, composição, impressão, capa e acabamento.
A segunda vantagem é que você não precisa se responsabilizar pela comercialização (a distribuição em livrarias) nem pela divulgação para a imprensa. A noite de autógrafos é organizada e paga pela editora, assim como os catálogos, sites e listas de preços que informam clientes e livreiros sobre o seu livro.
A terceira vantagem é que, uma vez que um editor comercial resolva investir em você, pela própria lógica do negócio ele vai fazer o possível para divulgar o seu nome em simpósios, feiras de livros e todos os eventos de que a editora participar. É de seu interesse promover seus autores a longo prazo porque os verdadeiros ganhos de uma editora comercial em geral só acontecem com a reimpressão da obra (popularmente chamada de segunda edição), quando terão sido abatidos os custos todos da primeira impressão.
Uma quarta vantagem de ser publicado por uma editora comercial é o prestígio. É mais bem visto pela academia e pelo mercado em geral o autor ser selecionado por uma editora, especialmente uma editora com um nome conhecido, do que quando publica uma obra por conta própria.

Desvantagens de uma editora comercial

Tudo na vida tem dois lados. O reverso da moeda de uma editora comercial começa pelo seu modo de funcionamento. Essa é a editora parecida com um banco a quem você vai pedir empréstimo, lembra? Isso quer dizer que a editora comercial tem muito mais autores do que dinheiro para publicar, e que faz uma seleção rigorosa daquilo que aceita. Ou seja, é bastante difícil ser escolhido por uma editora comercial (mas não impossível! Veja como aumentar suas chances em seleção da editora).
A segunda desvantagem das editoras comerciais é que, visto que são elas que bancam todos os custos de produção e impressão, também são elas que decidem como ficará a capa, qual será o título do seu livro, quantas ilustrações entrarão etc. Em teoria, tudo isso é feito por profissionais que entendem do riscado. Na prática, muitos autores ficam um tanto insatisfeitos.
A terceira desvantagem é que, para uma editora comercial, a menos que você seja um figurão conhecidíssimo, o seu livro é apenas mais um entre vários. Um produto cultural nunca chega a ser tratado como um automóvel numa linha de montagem, mas é evidente que profissionais ocupados em fazer cinco livros diferentes por mês todo os meses têm uma atitude de envolvimento restrito com cada obra. As pressões da empresa para produzirem dentro de prazos determinados obriga essas pessoas a dedicar atenção, tempo e energia limitados a você.
A quarta desvantagem é que a editora detém o controle de todo o processo de comercialização e marketing, que nem sempre é o mais eficiente do planeta. Você pode ficar sabendo de uma livraria que gostaria muito de ter os seus livros, mas nenhum vendedor passar por lá oferecendo o título. Ou informar o departamento de promoções que haverá um congresso nacional em Santa Catarina sobre o tema de seu livro, e ninguém da editora tomar providências. Essa mesma falta de controle se estende à decisão de divulgar seu livro, dar-lhe um preço, reeditá-lo. Veja mais em como lidar com seu editor.

Vantagens de um prestador de serviços

Um prestador de serviços presta muito mais atenção em você do que um editor comercial, porque para ele você é o principal cliente. Os serviços oferecidos são limitados apenas pela possibilidade do autor de pagar, nunca pela falta de disposição ou tempo do profissional. Os prazos são determinados por você, e tudo o que você resolve colocar na obra – duzentas ilustrações coloridas, a foto de seu filho na capa – sai impresso.
Quando você paga, é também você quem decide sobre o conteúdo da obra. Se você escreveu uma tese importante, que pode servir de referência para muitos pesquisadores mas foi julgada pouco lucrativa pelas editoras comerciais, publicá-la por conta própria é uma saída a ser considerada para divulgar o seu trabalho acadêmico. Sem falar que, quando bem feita, uma edição paga pode render aqueles famosos créditos concedidos a publicações científicas.
Um livro auto-publicado tem a vantagem ainda de render muito mais do que os dez por cento usuais de uma edição comercial. Se você tem uma platéia cativa – como muitos alunos, parentes ou clientes – a edição própria pode não só se pagar como dar lucro.
Finalmente, um prestador de serviços não escolhe você, é você quem o seleciona. Portanto, não há a ansiedade de esperar por uma resposta do editor nem a decepção de uma carta de recusa. Você pode marcar a data do lançamento assim que entrega os originais para a produção, e aguardar a impressão desejada sem sustos.

Desvantagens de um prestador de serviços

Há também desvantagens em contratar alguém para fazer o seu livro, sendo a primeira e mais óbvia a de que você é quem paga por isso.
A segunda desvantagem, em geral desconsiderada por autores de primeira viagem, é o que você vai fazer com os livros prontos. Relembrando, os prestadores de serviço fazem exatamente o que se propõem – imprimir o seu livro – e nada mais! Comercializá-lo é outra história, e muito escritor auto-publicado descobre como é difícil vender mil livros, e o espaço que esses pacotes ocupam debaixo da cama, em cima do armário, no fundo da garagem...
A terceira desvantagem é a falta de prestígio de fazer e vender os próprios livros, que pode em parte ser contornada pelo uso de profissionais muito bons e pela criação de um selo editorial fictício. O público em geral tende a encarar a obra publicada pelo próprio autor como amadorística ou de qualidade duvidosa por não ter sido aceita por uma editora comercial.
A quarta desvantagem é a de que o livro em geral não tem chance de caminhar por pernas próprias, mas precisa de sua assistência em cada etapa. Você vai ter de aprender um pouco de revisão, normalização, dar palpites em diagramação, decidir-se entre papéis, descobrir como fazer uma ficha catalográfica e requerer um número de ISBN, como funciona deixar livros em consignação em livrarias etc etc. Ou seja, transformar-se em todos os profissionais de uma editora comercial, para acompanhar e mesmo fazer os trabalhos de produção e comercialização de um livro. E o que você não souber ou não tiver tempo para fazer, não será feito.

Quando procurar uma editora comercial

Dadas as vantagens e desvantagens de cada tipo de editor, você pode se decidir sobre qual deles abordar. Para ter alguma chance de ser seriamente considerado por uma editora comercial, sua obra precisa de alguns requisitos mínimos.
O primeiro é um tema comercialmente interessante (veja mais em seleção da editora). Note que quem precisa achar o tema vendável é a editora e não você...
O segundo é você ter credibilidade como autor. Um advogado será considerado se apresentar um original sobre direito, mas não se trouxer poesias sobre sua musa.
O terceiro é ter um público-alvo definido, o que significa você conseguir dizer exatamente que grande grupo de pessoas com alta probabilidade compraria o seu livro. Por exemplo, senhoras de meia idade têm chance de se interessar por um livro sobre menopausa. Adolescentes de classe média provavelmente comprariam uma ficção sangrenta e sensual.


Quando procurar uma editora prestadora de serviço

Nem sempre uma editora comercial é a melhor alternativa. Cabe a você considerar contratar uma prestadora de serviço em alguns casos:
Primeiro, se você não tem interesse em adaptar sua obra para o gosto de um público que não conhece. Se, por exemplo, você deseja escrever uma história da família em princípio para circular apenas entre seus primos e netos, não perca tempo tentando publicá-la por uma editora comercial.
Segundo, se você tem um público comprador cativo. Por exemplo, se você é professor de estatística de turma após turma universitária e escreveu um manual para facilitar o seu curso, pode ter certeza de que irá ganhar muito mais dinheiro se vendê-lo diretamente a seus alunos do que se uma editora comercial publicá-lo e repassar-lhe apenas os dez por cento de direitos autorais de praxe. Claro que você precisa pesar se a obra tem chance de ser adotada por muitas escolas (quando vale a pena usar uma editora comercial) ou se a concorrência de outras obras é grande e você tem certeza apenas de vender para a sua própria faculdade (quando é mais lucrativo bancar a impressão e receber cem por cento do preço de capa).
Terceiro, quando interessa mais a você do que a um editor comercial ver sua obra publicada. Por exemplo, se você faz carreira acadêmica, é bem mais atraente para você receber pontos por ter sua dissertação ou tese publicada do que para uma editora comercial arriscar-se a colocar uma obra super específica no mercado. Tanto que já existem editoras que fazem um misto de prestação de serviço e edição comercial, dividindo os custos com autores de obras acadêmicas de boa qualidade mas venda difícil. No caso de um trabalho que você considere realmente pertinente para o seu ramo mas com poucas chances de seduzir um público maior, recomendo que publique uma edição baixa (duzentos ou trezentos exemplares) por conta própria, mas inventando um nome de editora para constar na capa e nas folhas de rosto por questões de prestígio. Invista para ter uma obra com aparência profissional (com ficha catalográfica, ISBN, código de barras, impressão razoável) e distribua entre as bibliotecas e institutos onde ela possa ser usada como referência. Você acaba atingindo o seu objetivo de divulgar o seu trabalho e ser reconhecido por seus pares sem passar pela dor de cabeça de tentar convencer uma editora a investir na obra.
Em qualquer caso, planeje uma bela noite de autógrafos, convidando todo mundo que você conhece, inclusive seus colegas de primário e sua primeira babá. Quase qualquer livraria aceita fazer lançamentos e gerenciar a venda de seu livro por uma noite, montando pilhas na vitrine, reservando uma mesa para você e oferecendo um coquetel. Dependendo do seu número de amigos, o lançamento pode pagar uma parte ou todo o custo de impressão.

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Preciso registrar meu original?

Muitos autores ficam nervosos com a possibilidade de, ao mandarem seus originais para análise por uma editora, terem seu texto plagiado. Apesar de não ser impossível, isso é bastante improvável. Os textos que mais correm riscos de serem copiados sem autorização são os altamente técnicos, que possam servir de referência dentro de uma outra obra já publicada pela editora. Por exemplo, se você fez um levantamento maravilhoso de toda a bibliografia existente a respeito de geografia e a editora tem livros de geografia publicados, talvez alguém se sinta tentado a copiar o seu texto.
Isso no entanto é extremamente raro. A desonestidade mais freqüente é o não pagamento dos direitos autorais, ou uma prestação de contas incorreta pela editora na hora de fazer o acerto. Portanto, a hora de mais pesquisar a idoneidade da editora é antes de assinar um contrato de publicação.
Uma outra coisa que acontece também com certa freqüência é a editora não querer publicar a sua obra porque você é desconhecido, mas achar que a sua idéia é boa. Algumas casas editoriais nesse caso passam o conceito para um autor que já conheçam, para que desenvolva um livro mais de acordo com seus parâmetros. Para evitar que isso aconteça – e que, pelas nossas leis, é inteiramente legal, uma vez que idéias não podem ser protegidas, apenas textos – apresente apenas originais muito bem trabalhados e o mais profissionais possível, para que, se houver interesse, a editora já prefira o seu trabalho pronto a encomendar algo parecido a outro escritor.
Se você ainda assim deseja registrar seus originais, a Biblioteca Nacional faz esse serviço por uma pequena taxa. O endereço é Fundação Biblioteca Nacional, avenida Rio Branco, 219/239, 4º andar, cep 20030-120, Rio de Janeiro, RJ, telefone (21) 262-8255, e-mail czaher@bn.brr, www.bn.br.

Quanto vou ganhar?

Essa é a pergunta que todo autor faz aos editores, mesmo antes de seus originais serem aceitos. Deixe-me dar-lhe uma dica que já irá diferenciar a sua abordagem de quase todos os outros autores estreantes: não aborreça um editor com essa pergunta.
A razão é simples: é muito difícil um original ser aceito por uma editora comercial. Apenas um em cada mil originais submetidos, em média, chega a ser levado a sério para publicação. Por conseguinte, o editor não tem a menor vontade de ficar explicando como funciona o pagamento de direitos autorais a quem, muito provavelmente, será recusado. E fazer essa pergunta já demonstra o seu amadorismo.

Direitos autorais

O pagamento de direitos autorais no Brasil obedece às convenções mundiais deste ramo. Autores ganham em média 10% do preço de capa (o preço pelo qual o livro é vendido nas livrarias) de cada exemplar de fato vendido. A maioria dos contratos abre exceções para vendas especiais, como grandes quantidades da obra serem compradas por alguma instituição governamental, quando a porcentagem do autor é menor. Editoras muito grandes, que investem pesadamente na divulgação do autor e fazem altas tiragens, como as de didáticos e paradidáticos, também costumam ter contratos com porcentagens menores de direitos para o autor. É prática comum um autor de livro didático assinar um contrato garantindo apenas 5% de direitos sobre preço de capa, ou ainda 10% sobre o preço de venda, que é o preço pelo qual o livro é vendido aos distribuidores e não ao consumidor final, ou seja, é um preço mais baixo, com desconto.
Isso tudo se traduz no seguinte: é muito, muito improvável que você fique rico – ou sequer ganhe pelas horas dedicadas ao livro o mesmo que recebe com outras atividades profissionais! – se você está publicando o seu primeiro livro e não é 1) uma celebridade (ou amante, cônjuge, ou parente de uma); 2) não fez nada de (muito) espetacular; 3) não é alguém que controle meios de distribuição de livros ou de divulgação, como por exemplo ser proprietário de uma rede de livrarias ou de um canal de televisão ou de um grande jornal.
Veja o exemplo: se uma editora faz uma tiragem de dois mil exemplares de seu livro, e ele custa em torno de R$ 20, você vai receber R$ 2 para cada livro vendido, o que não inclui os exemplares de divulgação, enviados para a imprensa, sua cota de autor etc.
Ou seja, se a edição se esgotar em um ano, o que é muito bom para um autor novo, você vai receber apenas R$ 3.600! E isso dividido em acertos semestrais, em geral sem correção!
Como disse, você não vai ficar rico. E se você acha que vender 1800 exemplares de um livro em um ano é fácil, experimente fazer a edição por conta própria e sair por aí. Tenho certeza de que você levará um choque. Se, no entanto, você tem um público cativo, confira as vantagens de uma edição própria, com ganhos mais altos que 10%, em Quando procurar uma editora prestadora de serviço.

Como ficar rico

Existe um modo de ganhar dinheiro com livros, mas ele não é fácil nem garantido. Os autores bem-sucedidos em geral começam todos com um primeiro livro modesto, que não vende muito mas abre caminho para os seguintes. Quando você consegue conquistar um público fiel ao seu estilo de literatura, ou que busca sempre um determinado tipo de livro de não-ficção (como auto-ajuda, marketing, aulas de química, jardinagem), você começa a ganhar dinheiro com uma série de livros.
Por exemplo, digamos que você invente uma nova maneira de treinar cães de guarda e escreva um livro. O primeiro pode ser bem-recebido apenas por veterinários e outros treinadores e vender uma edição lentamente. Mas se você percebe que descobriu um filão (pelos artigos nos jornais especializados, pelas cartas de quem comprou, pela reação dos profissionais do ramo), pode escrever um segundo livro enfatizando a rapidez do seu método e acrescentando, por exemplo, um programa passo a passo para qualquer pessoa treinar o seu pastor em dez dias. Se fizer sucesso, pode então escrever um terceiro apenas sobre cães fila, e assim por diante. Tendo um assunto do interesse do público e uma abordagem original e acessível, você pode ganhar bastante dinheiro construindo toda uma série. Aí, as vendas do terceiro livro puxam as do primeiro e levam à reimpressão do segundo. As pessoas que gostaram de um dos seus livros têm mais chance de se arriscar a comprar outro. Você se torna um nome de referência para os livreiros quando alguém pergunta sobre obras para treinamento de cachorros. E assim vai.
Esse tipo de movimento é característico de quase todos os autores de muita vendagem, pode conferir. O mesmo tipo de raciocínio vale para ficção, quando um autor descobre um subgênero – como romances históricos, ou aventuras de mergulhadores, ou ainda advogados detetives – muito específico, de preferência com um herói ou num estilo inimitável, que tenha grande aceitação pelo público.
Existem as exceções, os bestsellers instantâneos de autores que vieram do nada. Como editora, já acompanhei o espetacular nascimento de, por exemplo, Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva, na década de 1980. Você pode ter certeza que todo editor sonha com um estouro desses mas é realista o suficiente para não contar com isso. Você fará bem em seguir o exemplo e plantar os pés no chão.

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Onde encontro uma
lista de editoras?

Você não encontra. Já cansei de responder a esta pergunta, como muitos de meus colegas editores, e deixo aqui a dica de como você pode encontrar a editora certa para seu original.
Você não pode ter preguiça e não pode querer uma abordagem em massa. Ações em série raramente dão certo no mercado de cultura, onde cada pessoa sente que sua empresa e seus produtos são únicos e diferenciados. O original que chega à editora errada acompanhado de uma carta padrão é recusado em questão de segundos.
Portanto, querer uma lista de todas as editoras que publiquem livros infanto-juvenis é uma total perda de tempo, por exemplo.
O mercado brasileiro tem centenas de editoras, perto de oitocentas em funcionamento. Algumas enormes, multinacionais, outras de uma sala no fundo do quintal do dono. Algumas são católicas, outras espíritas, agnósticas, comunistas. Há editoras para todos os gostos, credos, tendências, níveis culturais e profissões do público. Cada área, como a de infanto-juvenis do exemplo, têm uma série enorme de casas editoriais, porém cada uma com suas características e preferências.
O que você precisa fazer é encontrar as poucas editoras que combinam – em ideologia, conteúdo, religião etc – com o teor do seu original.
E como você faz isso?
1) Defina o gênero de seu original. Se é um romance, você só vai procurar editoras que publiquem romances. Se é filosofia, só as que publicam filosofia. Parece óbvio, eu sei, mas é incrível a enxurrada de originais que chegam nas editoras que não tem nada a ver com o assunto da obra...
2) Vá a uma boa livraria e veja quais editoras estão publicando o seu gênero. Confira ali na prateleira do assunto parecido com o seu as várias editoras – provavelmente muitas delas até então desconhecidas para você – que arriscam publicar obras de a) brasileiros b) não famosos c) nos últimos dois anos, pois não adianta enviar para editoras que mudaram de linha ou só publiquem autores estrangeiros ou só invistam em nacionais muito conhecidos.
3) Se possível compre e leia as obras da mesma área que a sua para ter certeza de que a linha política, religiosa ou filosófica da editora combina com a de sua própria obra.
4) Veja na página de créditos – a 2 ou a 4 – dos livros na mesma sintonia do seu original o endereço da editora que o publicou. Se você procurar direito, deve encontrar umas cinco ou seis apropriadas, não mais.
5) Envie seu original apenas para aquelas, acompanhado de uma carta personalizada, dirigida àquela editora específica. Explico melhor como enviar o original mais adiante.

E procurar pela internet não adianta?

Na minha opinião, não. Porque pela internet você não vê a data de publicação, não tem como avaliar o conteúdo ideológico ou de estilo do livro, e não pode conferir se a editora tem alguma penetração em livrarias, já que não foi lá que você encontrou o título. É difícil ainda sentir a qualidade do trabalho de edição e de impressão da editora. Acho que nada substitui várias visitas às boas livrarias.

E se eu morar numa cidade que não tenha livrarias?

Nesse caso sugiro que você compre pela internet, pelo correio, vários livros parecidos com o seu original, para aí conferir no produto que tiver em mãos se as editoras que os publicaram realmente têm uma linha compatível com a sua obra.

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Como envio meu original?

Se você der uma olhada no que eu disse sobre editoras comerciais, verá que abordá-las é como ir a um banco pedir um empréstimo. Todo banco precisa emprestar dinheiro, assim como toda editora comercial precisa encontrar bons autores inéditos. Acontece que, como há muita gente sem garantias pedindo empréstimo, também são muitos os autores apresentando obras impossíveis. Por isso, contam a calma, a boa educação e as expectativas realistas de sua parte.

Linha editorial adequada

Como já disse, a enorme maioria dos originais que chegam a uma editora não têm nada a ver com a linha editorial da casa.
O que é linha editorial?
Linha editorial são os assuntos – ou gêneros literários – que a editora costuma publicar, e também a abordagem dentro dos assuntos. Se você for a uma grande livraria, verá que habitualmente os livros são divididos em algumas categorias, como história, auto-ajuda, romances, marketing etc. Uma livraria como a Cultura de São Paulo tem mais de cem divisões principais, fora as subdivisões. Essas podem ser consideradas linhas de publicações praticadas pelo mercado.
Dentro de uma mesma área, como por exemplo sociologia, você encontra várias tendências: historiográficas, antropológicas, de esquerda, de direita, pró-Estados Unidos, pró-França e por aí vai. Se você quer ter alguma chance de ser considerado por uma editora, precisa encontrar uma que publique o gênero dentro do qual a sua obra se encaixa, inclusive com o mesmo enfoque que você deu.
Nessa seleção, você precisa ter muita frieza. As editoras não têm interesse em adequar as suas linhas a você, é você quem precisa se adequar a elas. Se a sua obra é “mais ou menos” parecida com as que uma casa publica, você vai ser recusado. Não adianta você levar sua autobiografia (sendo que você é um vendedor de carros aposentado) dizendo que ela tem um caráter histórico. As editoras de história vão todas recusar a sua obra, e apenas editoras que eventualmente publiquem autobiografias de pessoas não famosas poderão se interessar.
A maneira de saber o que as editoras publicam é indo até uma boa livraria e vendo o que foi lançado na sua área. Não adianta tampouco localizar editoras que nos anos setenta publicavam poesia, mas que agora se dedicam apenas à informática. Muitas vezes, as linhas editoriais são fruto das preferências de um editor específico, que pode se aposentar ou trocar de emprego. Verifique o que tem acontecido no mercado nos últimos dois anos.
Nunca -- nunca! -- mande uma carta dizendo “não conheço a sua editora, mas estou enviando minha obra”. A pessoa que seleciona os originais vai pensar que, se você não se deu ao trabalho de fazer uma simples pesquisa em uma livraria, com certeza não está apresentando uma obra adequada à linha editorial da casa.
Para que insultar uma empresa que você quer interessada em você?

Originais impressos, limpos e organizados

Apresentação conta. Quando for enviar seu material a uma editora, imprima ou fotocopie o seu original sem sujeiras ou áreas cinzentas ou letras apagadas. Evite também correções a mão. Por outro lado, não gaste seu dinheiro com encadernações luxuosas ou fotos de autor produzidas em estúdio. O necessário é enviar um material fácil de ler, não um livro acabado.
É completamente irrelevante fazer uma diagramação caprichada de sua obra, como se as páginas fossem ser impressas a partir dali. Os programas usados para a paginação profissional de livros são o PageMaker ou o QuarXpress, e tudo o que você faz no Word exceto o texto é perdido na transcrição. Fontes exóticas, cores, tabulações, recuos e outros recursos para embelezar as páginas devem ser evitados porque chegam a atrapalhar. Use apenas o que for necessário para diferenciar títulos de subtítulos e de aberturas de capítulo.
Não apresente idéias de capa ou de ilustrações internas. Enviar uma capa desenhada por um amigo dá a idéia de que você é um amador que não entende absolutamente nada de publicações. A capa é uma decisão editorial e de marketing importante, que envolve a imagem e o estilo da editora. A menos que você esteja apresentando o trabalho de um capista qualificado e experiente, sua sugestão irá apenas aborrecer o editor.
Faça uma revisão de seu texto. Apartes do tipo “essa obra não foi revisada, sei que a editora conta com ótimos profissionais“ não impressionam nada bem. Se você é tão incompetente com o Word que nem passar a revisão ortográfica consegue, não transmite a segurança de quem sabe sobre o que está escrevendo. Peça a um amigo ou a um revisor profissional para eliminar pelo menos os erros ortográficos mais gritantes, se isso está fora do seu alcance.
Numere as páginas de sua obra. Ela não precisa estar encadernada, mas se não estiver numerada, um acidente -- como deixá-la cair no chão -- pode tornar a leitura impossível.
Escreva o nome da obra, seu nome verdadeiro e de eventuais co-autores, seu endereço, e-mail e telefones de contato na primeira página. Muitas obras se perdem porque os autores colocam seus endereços apenas no envelope, e este se separa da obra ao ser enviado para leitura. Se quiser ser mesmo cauteloso, imprima seu nome e telefone no alto de todas as páginas, como um cabeço. O eventual uso de pseudônimos pode ser decidido depois, caso um contrato venha a ser negociado.
Acrescente apenas as ilustrações e gráficos que forem necessários à compreensão do texto, uma vez que é a editora que decide como diagramar seus livros. Se você precisar incluir imagens que não sejam suas, terá de citar a fonte completa ou, em caso de fotos, pedir permissão para a reprodução. Evite portanto se apropriar de material publicado em outros livros, visto que dá muito trabalho ficar obtendo permissão das editoras originais.

Carta de apresentação

Seu original deve ser acompanhado de uma carta simples e resumida de apresentação. Nela é ideal que você cite algumas coisas.
Comece com o nome do editor responsável pela área. Faça uma pesquisa e evite o genérico “Excelentíssimo senhor editor”, porque muitos editores são jovens sem qualquer afinidade com honoríficos, e mais da metade são mulheres! Melhor começar com “Prezada dona Sônia”.
Mencione o gênero de sua obra e a coleção em que ela se encaixa na editora, ou uma obra na mesma linha que aquela casa tenha publicado. Isso demonstra que você se deu ao trabalho de pesquisar o catálogo da editora e sabe o que ela publica.
Explique rapidamente o diferencial de sua obra em relação a outras no mercado. Não é bom você dizer que sua obra é parecida com a de um grande mestre porque o editor preferirá continuar publicando quem já é conhecido. É mais eficiente você dizer em que a sua obra é melhor, ou mais abrangente, ou mais atualizada que a do grande mestre, para que o editor se interesse em concorrer com a obra já famosa.
Se você escreveu uma obra de não-ficção, precisa mencionar suas qualificações como autor: se é professor, pesquisador, aficcionado pela área etc. Note que não adianta você ser um juiz renomado se está apresentando um livro sobre natação, nem querer publicar uma crítica ao sistema judiciário se você é professor de educação física. Você precisa demonstrar ao editor que entende do assunto sobre o qual está escrevendo.
Se tiver outras obras publicadas, mesmo que apenas artigos, mencione-as.
Recomendações de pessoas importantes contam, mas apenas as de profissionais da área sobre a qual o livro trata. Se seu livro é de culinária, colecione comentários de chefes e donos de ótimos restaurantes, e esqueça os de amigos e parentes. Se a sua mãe e os seus amigos não elogiarem você, quem irá fazê-lo?
Cuidado com as recomendações dúbias. Muita gente famosa evita fazer referências positivas a obras de amigos e conhecidos, optando por declarações simpáticas e vazias. Editores são mestres na leitura entrelinhas, e uma recomendação dessas pode acabar funcionando contra a sua publicação. Cite apenas quem fala muito bem de seu trabalho.
Caso você trabalhe em algum meio de comunicação poderoso, ou tenha acesso a muitos clientes, alunos ou outros possíveis compradores de seu livro, mencione isso rapidamente. Conquanto não seja suficiente para que sua obra seja publicada, pode ajudar na decisão caso haja dúvida sobre a editora arriscar em você ou não.
Em sua carta, evite adjetivos e comentários auto-elogiosos como “essa é a melhor obra que você já leu”, porque o editor prefere julgar por ele mesmo. Também passe longe de argumentos como “publique logo ou irá se arrepender”. Editores têm uma longa experiência de sucessos e fracassos e sabem que ninguém, mas ninguém mesmo, consegue garantir que uma obra será um sucesso. Já viram autores de muita vendagem lançar livros que acumulam poeira nos depósitos, assim como obras esquisitas de repente caírem nas graças do público.
Você querer ensinar a missa ao padre só aborrece, e desperta pensamentos do tipo “se você tem tanta certeza que sua obra será um sucesso, porque não pede um empréstimo ao banco e a publica você mesmo? Seria você quem ganharia todo esse dinheiro que diz que eu vou ganhar...”

Atitude profissional

Relembrando uma vez mais, quando você apresenta uma obra a uma editora comercial, está pedindo um empréstimo. Portanto, além de fazer um esforço para procurar uma editora que concorde com o conteúdo de sua obra, e apresentá-la o mais limpa e legível possível, você precisa respeitar o modo de funcionamento da editora.
Já fui visitada por muitos autores demandando que eu chegasse a uma decisão sobre a obra deles de uma semana para outra, porque iam viajar, ou queriam ser publicados antes do Natal, ou outra razão qualquer. É o equivalente a entrar no Banco do Brasil e querer quinhentos mil reais hoje, porque você precisa comprar um maquinário para a sua fábrica amanhã. Você acha esta uma tática eficiente para convencer com um gerente de banco?
Editoras têm uma maneira de funcionar. Seguem uma rotina para a apreciação de originais, e mesmo obras altamente interessantes requerem tempo para ser lidas e estudadas. Além disso, toda editora que se preze se programa para publicar um determinado número de livros por mês. Algumas são mais elásticas e até podem colocar um livro na frente de outro, mas é comum que tenham prioridades e prazos com outros autores a cumprir. Mesmo que queiram apressar loucamente uma publicação, não conseguem editar um livro decentemente antes de dois ou três meses depois da assinatura do contrato.
Portanto, entrar na sala de um editor exigindo decisões imediatas é o mesmo que pedir para ser recusado. Querer que as suas necessidades e conveniências sejam consideradas acima das da empresa é completamente irrealista. E pressionar um profissional atarefado para que atenda você em detrimento de suas outras atividades é de uma sensacional falta de tato, que em geral provoca apenas irritação. Se você não é presidente da República, nem da General Motors, nem dono do maior jornal do país, nem filho do dono de um grande canal de televisão, evite essas táticas invasivas e agressivas.
Respeite o tempo de resposta da editora. Ficar telefonando e pedindo uma decisão é cortejar uma resposta negativa. O profissional do outro lado às vezes não consegue tempo para avaliar originais, e a sua ansiedade de autor pode precipitar uma recusa para que simplesmente pare de incomodar. Se a sua obra tem a ver com a editora, em algum momento será avaliada.
Não queira um parecer sobre a qualidade de sua obra, a menos que você se disponha a pagar por uma leitura crítica e a editora ofereça esse serviço. Para que essa relação flua melhor e você sinta menos ansiedade, facilita entender que o editor não é um profissional pago para dar aulas ou explicações, mas sim para escolher obras que combinem com a linha da editora, rendam boas vendas e alto prestígio. Você só vale a pena em termos de investimento do tempo dessa pessoa se apresentar uma obra que seja quase ótima e precise de uns poucos ajustes para ser publicada. Se mandar algo que não tenha qualquer potencial de entrar no catálogo da editora, evidentemente o editor não quererá ficar explicando comos e porquês.
Imagine que precisa comprar uma geladeira. Você mediu sua cozinha e sabe que pode comprar uma de até um metro de largura, prefere uma branca, com congelador separado, de até setecentos litros. Você tem um preço máximo que pode pagar. Aí vai a uma loja e começa a olhar um modelo. Um vendedor ansioso mostra como ela abre, diz suas especificações e preço. Você fica avaliando e ele começa a insistir para você resolver, pois já está ali há meia hora. Não é irritante?
Você depois decide não comprar aquela geladeira, seja porque é vermelha, seja porque não gostou do tamanho, seja porque é cara demais. Agora imagine como seria estranho e cansativo se você tivesse de explicar ao vendedor exatamente porque não quer aquela geladeira e se ele, ainda por cima, ficasse ofendido e tivesse um ataque de ansiedade!
O editor tem todo o direito de recusar uma obra sem explicação. Lembre-se de que se trata de um negócio, conduzido por profissionais ocupados que tentam cumprir metas. Não há espaço para afagos ao ego, ataques de ansiedade e grandes sensibilidades nessa transação.


Envio de originais para várias editoras

É perfeitamente razoável que você envie uma cópia do seu original a todas as editoras que publiquem aquele assunto com o seu enfoque, assim você evita ficar aguardando a resposta de uma para consultar outra. Se fizer uma boa pesquisa, provavelmente você não irá levantar mais do que uma meia dúzia de concorrentes. É educado, no entanto, avisar as editoras caso uma delas aceite o seu original, para que interrompam o processo de avaliação.
Conselho amigo: só considere ter tido uma resposta positiva depois que assinar um contrato. Qualquer conversa antes é mera especulação, que pode evaporar de repente se o editor mudar de emprego, ficar doente ou grávida, se um bestseller inesperado naquela área aparecer no mercado ou qualquer outro acidente do gênero.
Às vezes você pode querer forçar uma resposta positiva de uma editora mais importante se já tiver sido aceito por uma editora comercial pequena. Tente, mas leve em conta o que eu já disse sobre a atitude mais adequada para se tratar com editores e refreie impulsos agressivos.
Outro conselho amigo: não minta. O mercado editorial brasileiro é pequeno, os profissionais se conhecem e costuma ser fácil verificar se determinada editora aceitou o seu original ou não, caso isso pareça improvável. O editor pode também ficar genuinamente contente que alguém vai publicar a sua obra e lhe desejar boa sorte, sem querer competir com a outra editora.

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Preciso de um agente literário?

Não há (ainda?) no Brasil muitos agentes que concordem em representar autores desconhecidos. Em geral, os grandes profissionais da área trabalham apenas com escritores já publicados ou com recomendação destes. Portanto, essa pergunta é quase respondida com um “não” pela mera falta de agentes.
Ainda assim, algumas pessoas oferecem o serviço de agenciamento. Na seção de serviços desse site há alguns contatos que você pode conferir. O que precisa levar em conta é que um agente não faz milagres, visto que valem as mesmas regras de seleção editorial para os trabalhos fornecidos por agentes e por autores auto-representados.
O que o agente faz é exatamente o que sugiro que você faça por conta própria, ou seja, selecionar as editoras adequadas antes de enviar uma cópia de sua obra para análise. Como o agente conhece o mercado, os editores sabem que não virá oferecendo um completo absurdo para análise.
Afora esta maior boa vontade para com as obras assim apresentadas, não há diferenciação de tratamento até a hora de negociação do contrato, quando um agente tenta conseguir o melhor acordo para o autor, mas ao custo de ficar com uma parcela dos direitos autorais.
Os agentes que aceitam autores ainda inéditos têm também o mesmo problema que os editores, que é separar o minimamente publicável das pilhas de material pouquíssimo profissional. Assim sendo, a maioria cobra uma taxa para fazer a leitura da obra e avaliar suas possibilidades de ser negociada com alguma editora.
A maioria das editoras aceita analisar originais apresentados espontaneamente, seja por autores, seja por agentes. Quando a editora diz que só recebe material de agentes, provavelmente ela está indicando uma preferência por autores muito conhecidos. Ou seja, a linha editorial dela não está aberta para autores inéditos.
Veja em Onde encontro uma lista de editoras? a forma de selecionar editoras que aceitem analisar autores desconhecidos. No atual estado do mercado livreiro brasileiro, há uma quantidade respeitável de editoras pequenas que se arriscam bastante, ninguém precisa ficar aborrecido com as grandes e hiper seletivas.

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Meu original foi recusado.
Por quê?

Se a sua obra foi recusada, não se abale. Menos de uma em mil obras espontaneamente submetidas a uma editora são seriamente consideradas. Dependendo do motivo, é relativamente simples tentar novamente de modo mais eficiente.
Em geral há muitas razões para uma editora recusar um trabalho, que podem ser resumidas no seguinte: quem avaliou a sua obra achou que ela 1) não tinha qualidade suficiente; 2) não estava dentro da linha editorial da casa; 3) não venderia ou 4) prejudicaria a imagem da editora. Veja os raciocínios mais comuns por trás das devoluções de obras.


Falta de qualidade

Se você escreve sobre algo que conhece apenas superficialmente – por exemplo, se critica a política do ponto de vista de um cidadão, sem ser político ou ter experiência com essas pessoas; sem ser um pesquisador em ciências sociais – quase não tem chance de ser editado. A menos que tenha encontrado alguma coisa muito original ou engraçada para dizer sobre o assunto, o editor raciocina que a sua opinião é tão válida quanto a de qualquer outro leitor, e que portanto ninguém compraria um livro que bem poderia ter escrito também.
Se você envia um original datilografado em lugar de impresso, cheio de erros ortográficos, com correções a mão, em fotocópia apagada, suja ou amassada, a pessoa que faz a seleção tem a imediata impressão de estar lidando com um autor pouquíssimo profissional, e quase sempre despacha a obra de má aparência para a pilha a devolver. Veja como causar boa impressão na pergunta sobre a apresentação de originais.

Desacordo com a linha editorial

Linha editorial é a gama de assuntos que uma editora publica. Se você mandar livros de poesia para uma editora de assuntos esotéricos, será sumariamente recusado. Se submeter uma obra psicografada sobre Jesus a uma editora católica, seu original não será sequer lido. A grande maioria dos originais são devolvidos porque não se encaixam na linha editorial da empresa.

Tristes perspectivas comerciais

Um editor deseja vender seus livros. Se você apresenta uma obra de 400 páginas (que portanto será muito cara para produzir), é muito difícil que sua qualidade compense o risco de colocar à venda um livro com alto preço de capa.
Se você apresenta uma obra parecida demais com outra de sucesso, o editor em geral não arrisca entrar em competição com a que já é conhecida.
Se você envia um original sobre um assunto esquisito, para o qual um livreiro teria dificuldade em encontrar lugar em sua livraria, muito provavelmente o editor recusa ter que inaugurar todo um gênero só por causa de sua obra.
Se você, finalmente, escreve uma obra para a qual o editor não percebe um público-alvo, como por exemplo uma belíssima crítica sobre os periódicos japoneses (que quase ninguém no Brasil conhece), sua chance de publicação é muito baixa.

Baixa respeitabilidade

Às vezes, um material é bem escrito, oportuno, interessante mas sensacionalista demais, ou baseado em relatos pouco confiáveis, ou vulgar. A maioria das editoras preza muito a sua imagem, fugindo de obras que, mesmo com boas perspectivas comerciais, possam ser criticadas pelos jornais e revistas como superficiais, erradas ou falsas.
Aquilo que pode ser encarado como pornográfico, incitar à violência, ao racismo, ao sexo com menores de idade, a comportamentos perigosos ou a atos criminosos em geral também é imediatamente recusado.

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Mandei um original faz
seis meses e ninguém
me responde!

O trato com as editoras comerciais sem dúvida põe à prova a calma de qualquer escritor. Se você telefona, muitas vezes ninguém atende, ou responde, ou sabe de coisa alguma. Uma resposta pode demorar meses e transformar-se em recusa sem mais explicações. O original muitas vezes é perdido, e você não consegue que ninguém conte o que aconteceu.
O que você não imagina é que toda essa frustração e raiva tem sua contraparte dentro da editora. Vou explicar como funciona a avaliação de originais em nosso país, para tentar sensibilizar você para uma situação absurda.
A enorme maioria das pessoas que envia obras às editoras não têm a menor idéia do que está fazendo. Uma quantidade imensa das obras que chegam têm péssimo português, são completamente sem nexo, sem público, sem qualquer chance de ser publicadas. Algumas são até manuscritas!
Nove entre dez autores iniciantes não se dão ao trabalho de verificar o tipo de obra que a editora publica. Não é raro uma editora de sociologia e história receber manuais de cardiologia, e editoras médicas receberem poesia. Todas as editoras, aliás, recebem poesia, milhares de originais, não importando se jamais tenham publicado um único poeta em sua existência.
Chegam também originais de pessoas contando suas vidas sem qualquer charme, sem qualquer domínio de técnica estilística, sem qualquer idéia do que seja um livro. Tem gente que até diz não gostar de ler mas ter escrito um livro!
Essa avalanche de originais péssimos e amadorísticos deixa os profissionais que trabalham nas editoras, compreensivelmente, bem pouco entusiasmados com novos autores. Tanto que em geral a tarefa da primeira seleção recai sobre estagiários e é vista quase como um castigo dentro dos departamentos editoriais. Apenas uma parcela mínima passa para a avaliação de editores graduados. É prova do otimismo das editoras fazerem qualquer tipo de seleção das obras espontaneamente apresentadas, uma vez que as chances de encontrar algo de qualidade e adequado à linha de publicações da casa é mínima.
Portanto, não se espante se o tratamento dado a você não for espetacular. O assistente do assistente editorial que atende você tem pilhas e pilhas de papel à frente e não tem como lembrar dos nomes de quem envia material de todos os cantos do Brasil. O truque é se apresentar da maneira mais profissional possível, para se diferenciar da grande massa de completos diletantes, e adotar a atitude correta.
Basicamente, você não tem o direito de pressionar a editora. Publicar a sua obra é um risco financeiro alto, que a editora assume se quiser. Veja em como apresentar originais a melhor maneira de enviar sua obra a uma editora. Mas evite sempre se irritar ou colocar quem atende você contra a parede. E se você enviou sua obra há seis meses sem obter resposta pode, como regra geral, considerá-la recusada.

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Quero traduzir um livro.
Como faço?

É comum que leitores entusiasmados com uma obra estrangeira queiram traduzi-la para o português e vê-la publicada por uma editora brasileira. É comum também que façam a besteira de realmente traduzir a obra e só depois enviá-la para a avaliação da editora.
Deixe-me explicar como funciona a publicação de obras estrangeiras.
O Brasil é signatário da Convenção de Berma, que define o respeito pelas propriedades intelectuais. Isso quer dizer que qualquer obra estrangeira, para ser legalmente publicada aqui, precisa ter os direitos de publicação para a língua portuguesa negociados com o detentor do copyright, que pode ser o autor ou a editora original, ou ainda alguma fundação.
Quando você apresenta um livro estrangeiro que deseja traduzir para a avaliação de uma editora, está pedindo na verdade três avaliações distintas:

1) Da obra em si. A editora precisa concordar com você que aquela obra é interessante e merece ser incluída em seu catálogo. Não é sempre que isso acontece.
2) Dos direitos autorais. Há editoras estrangeiras que não facilitam a aquisição dos direitos de publicação, ou não têm agentes que as representem no Brasil, ou que pedem adiantamentos muito altos. Pode acontecer ainda de os direitos daquela obra já terem sido comprados por uma outra editora brasileira, que ainda não lançou o livro. Portanto, mesmo que a editora brasileira se interesse pela obra, pode acontecer de ser impossível adquiri-la.
3) Das suas habilidades como tradutor. Pode acontecer de a editora se interessar pela obra, negociar os direitos para a publicação em português de forma favorável, mas ainda assim considerar você um tradutor inferior a algum outro da casa.

Portanto, se você deseja traduzir uma obra, apresente uma cópia completa do livro original, incluindo a página de créditos que define de quem é o copyright, para as editoras que julgar interessadas. Escreva uma carta explicando porque acha aquele livro importante para os leitores brasileiros e se ofereça para fazer a tradução, caso a obra seja levada adiante. Acrescente um teste da sua tradução, de no máximo um capítulo, para que o editor possa julgar o seu trabalho, e aguarde.
Um outro caminho, mais árduo, é você adquirir os direitos de publicação da obra no Brasil e aí tentar repassá-los a uma editora ou fazer a edição por conta própria. Se você acredita muito na obra, pode até seguir por aí, mas além das dificuldades de uma edição própria, terá a de negociar com estrangeiros que nem sempre confiam muito na probidade dos brasileiros. E precisará garantir que fará a edição mesmo sem ter uma editora, o que não é fácil de prometer nem de cumprir.

Como publico minhas poesias?

Recebo muitas críticas a respeito de minha posição sobre poesia. Fico firme nela, achando que nenhum editor pode ser obrigado a ter prejuízo (veja COMO ENCONTRAR UMA EDITORA) só porque há um sem número de poetas desejando um modo de se expressar em público. Ainda assim, apresento a seguir algumas idéias sobre como aumentar a sua chance de divulgar seus textos poéticos.
Poesia costuma ser recusada não só porque não vende, mas também devido à postura dos poetas. Vou comentar o que acho mais problemático.
Muitos escritores talentosos, por exemplo, gastam sua imaginação imitando o estilo de grandes mestres.
Não faça isso!
Nada impede o leitor de comprar os poemas originais de Fernando Pessoa ou Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade ou Florbela Espanca. Os livros desses poetas existem na praça, costumam ser reeditados e apreciados. Imitar o estilo deles é pedir para ser ignorado, porque a maioria das pessoas prefere o original a uma cópia posterior.
Minha sugestão portanto é que você crie um estilo todo seu, parecido com o de ninguém, e insista nele. Diferencial é importantíssimo nessa era de excesso de publicações.
Outra besteira constante, na minha opinião, é poetas recorrerem a temáticas do século XIX, como amor ligado à dor, musas em flor, campos (também em flor!) e outros temas que foram favoritos de românticos tanto tempo atrás.
Por que poesia precisa remeter a um passado distante e bucólico?
Encontre lirismo, beleza, interesse para os sentidos no que existe hoje, no século XXI. Se você escolher assuntos que jamais foram alvo de considerações pelos poetas famosos, como talvez seqüestros ou personagens da Casa dos Artistas ou a televisão ou festas infantis em bufês, aumenta muito sua chance de interessar um editor comercial. Poesia afinal foi criada para nos fazer olhar de modo diferente para o que está em volta, não é mesmo?
Quando produzir uma obra, aliás, minha sugestão é que crie um tema condutor que possa atrair a atenção do leitor. Poesias sobre tudo são o mesmo que poesia sobre nada. Escolha explorar vários ângulos -- interessantes, fascinantes, originais, que ninguém tenha feito antes! -- de um mesmo tipo de assunto. Os bufês infantis de meu exemplo anterior podem ser temas áridos, mas talvez não a infância consumista, por exemplo.
Muitos poetas insistem ainda -- de modo nervoso, irritado -- em querer ser publicados por editoras comerciais quando falam apenas de si mesmos, de suas vidas, sem que nada de muito diferente tenham feito. Ora, sua vida interessa a quem conhece você, quem gosta de você. Se você escreveu algo sem chance de poder encantar a um norueguês daqui a cinqüenta anos, sugiro que parta para a publicação por conta própria.
Divirta-se fazendo uma noite de autógrafos entre seus amigos e parentes, faça o livro que você deseja sem a pretensão de comercializá-lo. Espalhe entre os seus conhecidos um pouco do que você sente, sem desejar o envolvimento da indústria livreira.
Sugiro também que considere outras formas de publicação. Não conheço o funcionamento de veículos como cartões postais, cadernos e agendas, mas tenho visto nesses meios, assim como nas músicas, um canal para a expressão de muitos poetas. Caberia pesquisar como estes meios processam a seleção de seus materiais e talvez apresentar-lhes sua obra.
Vejo a música, hoje, como o canal mais poderoso de divulgação da poesia, não os livros. Portanto, quem deseja fazer fama e fortuna com letras tem muito mais possibilidades de encontrar aí, e não no mercado de livros, um canal possível para a sua arte e lirismo.
Boa sorte!

 

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